O que está acontecendo?
O livro de Jó quer nos ensinar sabedoria — em especial, como pensar sabiamente a respeito de Deus, sobretudo quando sofremos. O livro nos apresenta um homem inocente, moral e íntegro chamado Jó (Jó 1.1). Ele tem uma família grande e uma imensa riqueza (Jó 1.2-3). Jó tem o cuidado não apenas de obedecer a Deus, mas também de oferecer sacrifícios continuamente pelos possíveis pecados de seus filhos (Jó 1.5).
Em seguida, somos apresentados a uma reunião do conselho celestial e a um personagem chamado o Acusador (Jó 1.6). Deus elogia a inocência e a integridade de Jó (Jó 1.8). Mas o Acusador sugere que Jó só é moral porque está atrás das recompensas de Deus (Jó 1.10).
O Acusador acusa Deus de administrar mal o seu universo. Ele crê que a política de Deus de recompensar o bom comportamento significa que a moralidade de Jó é puramente transacional. A única razão pela qual Jó obedece é conseguir os bens de Deus (Jó 1.9-10). Embora recompensar os bons e punir os maus possa render a Deus uma obediência externa e ritual, isso não fará com que Jó abençoe ou ame a Deus. De fato, se Deus tirar as suas recompensas, o Acusador espera plenamente que Jó maldiga a Deus (Jó 1.11).
Deus permite que o Acusador coloque em julgamento a ele mesmo e a sua administração do universo. Se um Jó inocente sofre e maldiz a Deus, o Acusador vence, e as políticas de Deus se mostram falhas.
Então Deus envia o Acusador para tirar tudo de bom que havia sido dado a Jó (Jó 1.12). Deus concede permissão para cobrir Jó de feridas abertas (Jó 2.7). Mas, apesar das previsões do Acusador, Jó se recusa a maldizer a Deus (Jó 1.21). Em vez disso, Jó o abençoa e reconhece que integridade e inocência nem sempre garantem bênção (Jó 2.10).
Mas o julgamento da administração de Deus sobre o universo apenas começou.
Onde está o Evangelho?
É fácil crermos que Deus opera por meio de algum tipo de sistema transacional. O sofrimento é causado pelo nosso pecado; saúde e riqueza estão ligadas à nossa moralidade. Você ouve esse pensamento até quando personalidades da TV tentam explicar coisas como incêndios florestais e furacões como resultado de alguma lei aprovada por uma nação.
Pensar em Deus de forma transacional nos deixa perpetuamente preocupados. Sempre estaremos preocupados que Deus esteja apenas esperando para nos punir por algum pecado, alguma infração ou algum erro. Sempre suspeitaremos que o nosso sofrimento é, na verdade, a forma de Deus se vingar de nós. Assim, ou nos castigaremos para provar que Deus não precisa nos punir, ou nos ressentiremos de Deus por ser tão implicante. Essa é exatamente a dinâmica que o Acusador afirma que Deus instituiu no mundo e que fará Jó maldizer a Deus (Jó 1.11).
Mas Deus não é transacional. Como Jó diz, Deus é bom tanto quando dá quanto quando tira (Jó 1.20). Bênção e sofrimento não funcionam de acordo com equações rígidas, mas segundo a sabedoria divina. Todo o livro de Jó explorará essa ideia, mas Jesus prova que ela é verdadeira.
Deus nos abençoa quando ainda éramos pecadores. Jesus morreu pelos nossos pecados quando nossas más obras pesam mais que as boas (Romanos 5.8). Jesus não exigiu o que lhe era devido transacionalmente por seu título de Filho de Deus, com sua vida perfeita e morte sacrificial. Em vez disso, ele renunciou a isso (Filipenses 2.7). E, por meio de sua morte, tudo o que pertence a Deus agora pertence a nós (2 Coríntios 5.21; João 16.15).
Deus não governa o seu universo segundo transações rígidas. Ele governa com uma sabedoria generosa, amorosa e que se entrega. Como Jó, não precisamos nos ressentir de Deus nem maldizê-lo. Podemos abençoar aquele que tirou o nosso pecado, se entregou a nós e não nos dá o que merecemos.
Esse é o primeiro passo para pensar sabiamente a respeito de Deus, sobretudo quando sofremos.
Veja você mesmo
Que o Espírito Santo abra os seus olhos para ver o Deus que dá e que tira. E que você veja Jesus como Deus, cuja vida foi tirada para que nos seja dado o que não merecemos.

