O que está acontecendo?
Até aqui, a maior parte de Levítico foi dirigida ao povo que traz ofertas ao tabernáculo. Mas de Levítico 6.8 até o capítulo 7, Deus volta sua atenção aos sacerdotes. Essas instruções são como notas de rodapé às ofertas já descritas, mostrando como devem ser tratadas depois de serem dedicadas a Deus.
A principal preocupação aqui é a santidade — o que acontece quando coisas comuns são entregues a Deus. O texto deixa claro que, uma vez oferecido a Deus, algo se torna santo. Isso significa que está separado, puro diante do Senhor e semelhante a ele — santo como ele é santo. E, uma vez que algo se tornou santo, importa muito quem o come, quando e onde.
Até o que não é comido, como as cinzas santas do holocausto, é tratado com cuidado. Cada manhã o sacerdote as recolhe e, embora sejam “resíduo”, são resíduo santo. Devem ser levadas para fora do acampamento, a um lugar cerimonialmente puro (Levítico 6.10-11). Descartá-las com descuido seria desprezar a santidade de Deus e possivelmente fazer com que alguém que não está cerimonialmente puro entrasse em contato com elas acidentalmente.
O mesmo princípio se aplica às refeições sacerdotais. As ofertas de cereal, as ofertas pelo pecado e as ofertas pela culpa produzem alimento santo. Mas esse alimento só pode ser comido pelos sacerdotes, e somente se eles estiverem puros (Levítico 7.6). Se um sacerdote impuro ou qualquer pessoa de fora comesse o alimento santo, seria eliminado do povo de Deus (Levítico 7.20-21). Isso porque santidade significa estar separado. Quando o santo é misturado ao profano, mistura-se algo separado para Deus com algo separado de Deus. Assim como Adão e Eva foram separados de Deus quando deixaram de ser separados para Deus, também aqueles que comem em estado profano são separados do acampamento de Deus quando deixam de ser separados para Deus.
A santidade deve ser tratada com cuidado porque é contagiosa. Tudo o que toca a carne santa se torna santo (Levítico 6.27). Comer o alimento santo é como ingerir santidade — isso torna os sacerdotes santos por dentro. É assim que Deus está formando o seu povo para ser santo como ele é santo: dando-lhes acesso à sua santidade em forma de alimento, manuseado com cuidado, consumido com reverência e compartilhado apenas com aqueles que ele purificou.
Onde está o Evangelho?
Esse tema da santidade contagiosa se cumpre em Jesus.
Jesus mesmo é o Santo, e ele nos dá a sua vida santa. Em João 6, ele toma em seus próprios lábios a linguagem das refeições do tabernáculo: “Todo o que come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna” (João 6.54). Assim como os sacerdotes ingeriam santidade quando comiam dos sacrifícios de Deus, também todos os que se alimentam de Jesus pela fé são tornados santos de dentro para fora.
E, diferentemente de Levítico, em que apenas certos sacerdotes puros podiam comer, Jesus estende sua refeição santa a todos os que confiam nele. Na Santa Ceia, ele oferece seu corpo e seu sangue a todos os crentes. O que antes era restrito a uns poucos santos agora está aberto a todo o povo de Deus.
Mas a mesma advertência permanece: a santidade de Deus não é algo trivial. Paulo adverte em 1 Coríntios 11 que aqueles que comem da Santa Ceia “de maneira indigna” trazem juízo sobre si mesmos. Comer o que é separado para Deus enquanto você está separado de Deus mistura perigosamente o santo e o profano. O povo santo de Deus deve viver na santa presença de Deus. Persistir na impureza é escolher o exílio fora do seu acampamento.
Ainda assim, para os que vêm pela fé, a santidade de Jesus continua contagiosa. Ele nos enche com o seu Espírito como um novo tabernáculo e nos torna santos por dentro. Ele espalha sua santidade para fora por meio de nós, para que o mundo todo contraia a santidade contagiosa de Deus e seja trazido para dentro do acampamento.
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo lhe dê olhos para ver o Deus que torna sua santidade contagiosa, e que você veja Jesus como o alimento santo que o enche com a sua própria vida, tornando-o santo como ele é santo.

