O que está acontecendo?
Como no jardim do Éden, Deus está habitando novamente com o seu povo no tabernáculo. Os sacrifícios e as ofertas de Levítico mostram a Israel como estar com Deus tornando-se como Deus. Depois do holocausto, da oferta de cereal e da oferta de comunhão — todos atos de devoção e comunhão —, chegamos agora ao que muitas vezes é chamado de “oferta pelo pecado”.
Mas, em Levítico, o pecado não diz respeito, em primeiro lugar, à maldade deliberada ou ao fracasso moral. A oferta de purificação trata de erros involuntários e de falhas rituais no funcionamento do sistema sacrificial que poluem a santa habitação de Deus. Se um sacerdote apresenta acidentalmente uma oferta de maneira errada, ou se um adorador faz um voto junto com o seu sacrifício, mas não o cumpre, as pessoas e os lugares associados à presença de Deus ficam comprometidos. As funções do tabernáculo, que levavam Israel à comunhão com Deus, foram poluídas. Meios profanos e impuros não podem produzir fins santos e puros.
É por isso que essa oferta é melhor compreendida como uma oferta de purificação, ou mesmo como uma oferta de “des-pecado”. Ela remove os efeitos da poluição do pecado, para que o povo de Deus e o lugar de Deus possam permanecer santos como ele.
Como no jardim do Éden, a vida é encontrada perto de Deus, e a morte, no exílio longe dele. Assim, o adorador coloca as mãos sobre o animal, identificando-se com ele, e então o seu sangue — o símbolo da vida — é aplicado de maneiras específicas. O propósito do sangue é mostrar a vida vencendo a morte. Como Levítico 17.11 explica mais adiante: “a vida da carne está no sangue, e eu o dei a vocês... para fazer expiação”. Expiação aqui significa “cobertura”. Por meio do sangue da oferta de purificação, a vida cobre a morte. Então o tabernáculo e o povo são libertados — ou perdoados — do efeito poluidor do pecado (Levítico 4.26). Agora, como no Éden, a vida pode ser encontrada nesse lugar.
Dependendo de quem pecava, o sangue ia a diferentes profundidades da habitação de Deus. Se um indivíduo trazia impureza, o sangue era aplicado no altar fora da tenda, purificando o lugar onde os sacrifícios encontravam Deus. Se um sacerdote ou toda a assembleia trazia impureza, o sangue tinha de ir mais fundo, em direção ao próprio Lugar Santo, porque a poluição do pecado ameaçava manchar com morte o lugar santo da vida.
Quanto maior a responsabilidade do pecador, mais profundamente a poluição alcançava — e mais profundamente o sangue da vida tinha de purificar. Essa oferta mostra que o pecado não é apenas pessoal, mas também uma força corrosiva que se espalha para fora, ameaçando o novo Éden de vida que Deus estava formando no tabernáculo. E mostra que Deus provê um meio para que a sua presença permaneça — cobrindo a morte do pecado com vida.
Onde está o Evangelho?
Jesus é a verdadeira oferta de purificação, que purifica tanto o pecador como o santuário. Sua vida derramada nos purifica e nos faz habitação de Deus. Seu sangue vence a corrupção do pecado e a sua força geradora de morte. Como diz 1 João 1.7: “o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado”. Surpreendentemente, os pecados que Jesus cobre não são apenas falhas rituais, mas também fracassos morais perversos. Ele nos purifica do poder e da mancha do pecado, profundos, corruptores e geradores de morte. Sua vida cobre a nossa morte. Na vida de Jesus, o nosso pecado é coberto, e somos libertados da sua poluição.
Mas a sua obra de purificação não para em nós individualmente. Assim como o sangue em Levítico alcançava mais fundo quando a nação inteira ou os seus líderes pecavam, assim também a vida de Jesus alcança o lugar mais profundo — o próprio templo celestial. Hebreus 9.24 nos diz: “Cristo entrou... no próprio céu, para agora se apresentar na presença de Deus em nosso favor”. Seu sangue, sua vida, não garante apenas a nossa purificação — purifica todo o céu e a terra. Por meio do seu sacrifício, ele pode cobrir todo o nosso universo de morte e decadência com vida e liberdade.
Veja você mesmo
Oro para que o Espírito Santo lhe dê olhos para ver o Deus que provê vida para cobrir a morte e purificação para cobrir a poluição. E que você veja Jesus como aquele cujo sangue de vida nos “des-peca” e como o verdadeiro templo, abrindo o caminho para que vivamos na presença de Deus.

