O que está acontecendo?
Israel foi chamado a ser santo como Deus é santo. Ser santo significa ser separado. Israel foi separado das nações, que espalhavam maldade e morte no mundo. Deus chamou Israel a viver de modo diferente — santo, distinto — para que pudesse representá-lo diante das nações e levar sua vida e sua justiça a um mundo que estava morrendo. Nesse sentido, Israel como um todo era um povo sacerdotal.
Mas, dentro dessa nação sacerdotal, a família dos sacerdotes era ainda mais separada. Assim como Israel representava Deus diante das nações, os sacerdotes representavam Deus diante de Israel. Como aqueles que trabalhavam no santo tabernáculo de Deus e dentro dele, eram sacerdotes entre sacerdotes. Isso significava que, à medida que sua proximidade com Deus aumentava, aumentava também sua santidade.
Os sacerdotes não deviam tocar em um cadáver, exceto em casos raros. Sua aparência devia refletir a plenitude da vida que Deus dá — nada de calvas, nada de cabelos desgrenhados, nenhum defeito. Seus casamentos eram restritos para preservar o símbolo da fiel aliança de Deus. Tudo isso mostrava a Israel que a vida de Deus é íntegra, perfeita e abundante, assim como a santidade de Israel mostrava às nações que os caminhos de Deus são diferentes dos caminhos destrutivos delas.
Ainda mais elevado era o sumo sacerdote. Porque ele entrava no lugar mais separado de todos — o Santo dos Santos —, sua vida era marcada por uma separação ainda mais profunda. Quanto mais perto alguém chegava da presença de Deus, mais santo, distinto e diferente do mundo tinha de ser.
Essa lógica se estendia à comida e às ofertas. Israel mostrava sua santidade por meio da alimentação. Os sacerdotes comiam alimentos separados como santos, provenientes dos sacrifícios. E os próprios sacrifícios tinham de ser íntegros e sem defeito. Como o sangue deles chegava mais perto de Deus, as ofertas também tinham de representar vida, integridade e santidade.
Quanto mais perto alguém — ou algo — chegava de Deus, mais separado tinha de ser.
Onde está o evangelho?
Essas leis nos mostram que Deus é absolutamente santo e perfeitamente separado. Tudo o que se aproxima dele deve refletir sua integridade e sua vida.
Jesus cumpre essa visão. Ele é o sumo sacerdote supremo — o mais separado de todos — porque é Deus mesmo. Como o sacerdote entre sacerdotes, ele representa Deus diante do seu povo e das nações. Ele mostrou ao mundo a santidade de Deus trazendo vida aos mortos, purificando os contaminados e perdoando os perversos. Toda a sua vida foi vivida separada para Deus.
Mas Jesus não é apenas o sacerdote; ele também é a oferta. Ele é o sacrifício sem defeito e de alto preço. Ao entregar sua vida, ele nos mostrou como são, em ação, a integridade e a vida de Deus. A coisa mais separada que alguém poderia fazer é entregar a própria vida em amor, oferecendo perdão aos seus inimigos. Jesus é a oferta santa suprema.
E a lógica de Levítico se cumpre nele. Quanto mais perto alguém chegava de Deus, mais separado tinha de ser. Agora, em Jesus, somos trazidos o mais perto possível de Deus — em união com ele pelo Espírito. Paulo diz: “Todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, estamos sendo transformados na sua imagem com glória cada vez maior” (2 Coríntios 3.18). Quanto mais nos aproximamos de Jesus, mais somos feitos santos como ele.
Jesus nos torna santos. Ele nos lava, nos separa e nos enche do seu Espírito. Ele nos forma em uma nação de sacerdotes que o representam diante do mundo. Como Israel antes de nós, somos separados da maldade do mundo para levar a vida e a justiça de Deus a esse mundo. E, como os sacerdotes, também somos a oferta. Jesus nos chama a oferecer nossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Romanos 12.1).
Jesus é o sacerdote separado e a oferta sem defeito que cria um povo santo. Por meio dele, somos sacerdotes para as nações e o sacrifício que leva a vida de Deus ao mundo.
Veja por si mesmo
Oro para que o Espírito Santo abra seus olhos para ver o Deus que é perfeitamente santo e separado. E que você veja Jesus como o sumo sacerdote e o sacrifício sem defeito que nos transforma em um povo santo — sacerdotes e ofertas — para que a vida de Deus alcance todas as nações.

